sexta-feira, 21 de dezembro de 2007

Ser independente e revolucionário no Brasil: Atitude ou suicídio?

Querer e ser diferente no Brasil são coisas muito difíceis. Apesar da lei da existência que consiste em que todos nós somos diferentes, a lei prevê que somos todos iguais. Não temos catástrofes climáticas em grande proporção como um tornado ou um vulcão, não estamos em guerra com nenhum outro país e não estamos enfrentando epidemias devastadoras. Toda esta ausência de "porquês" no processo de revolução e evolução da lei natural das espécies dos que nascem e morrem, é suprida pela própria sociedade que compõe o nosso país.

Como dito no título, ser independente e revolucionário no Brasil é algo muito complicado exatamente pelo foco que o povo tem e impôs. "Devemos estudar (até onde puder!), ter um bom emprego e constituir uma família". Basicamente isso. Por que não surgem idéias como Google, YouTube ou Orkut no Brasil? Apenas pelo fato de que aqui, desde cedo, as pessoas aprendem a sonhar em trabalhar numa multinacional, enquanto lá fora, as crianças e adolescentes têm aulas de empreendedorismo e sonham em "ter" uma multinacional. É este pensamento pequeno e cômodo que coloca o país onde ele está agora. Os remanescentes da atitude de lutar pelo que sonham e acreditam, quando descobertos, são levados para o exterior onde há muito mais recursos para fazerem seu trabalho (geralmente são muito bem sucedidos porque aqui estão acostumados a usarem o "jeitinho brasileiro" e se virarem com pouco. Imaginem quando tiverem em mãos tudo o que precisam...).

O comodismo do povo se dá por diversos fatores, principalmente sociais. Como podemos culpar um político de muitas coisas que vemos nos noticiários, se a maioria faz o mesmo? Se um guarda de trânsito parar você por não estar utilizando o cinto de segurança, por exemplo, não passaria pela sua cabeça (isso se realmente não o fizer...) oferecer uma quantia para guarda deixá-lo ir? Suborno! Crime! No Plenário o que muda são os valores! Nos dois casos, deixando as coisas mais enxutas, são duas infrações na Lei. Não estou querendo defender ninguém e também é obvio que por lá as coisas são bem mais fáceis pelos valores serem bem mais altos e muitas vezes o dinheiro ser público.

"Ué, se os políticos fazem, por que não devo fazer?" - É exatamente esta linha de raciocínio que deixa a evolução do país muito mais difícil, pois todo mundo quer garantir o seu não importa como for, na lei do "tudo o que é proibido é mais gostoso" e "as regras foram feitas para serem quebradas". E com este tipo de atitude, cresce a corrupção, revoltas populares (individuais: cada um se revolta com tudo e com todos do seu jeito) e principalmente a violência e a violência para punir a violência. Desta forma, cresce o medo e com o medo, as pessoas não saem de casa e tendem a ficar encasuladas em suas residências. Sendo assim, crescem os "home-offices", os serviços "delivery" (que entregam no conforto do seu lar), as pessoas buscam deixar a casa mais aconchegante para elas mesmas, afinal, passarão boa parte do tempo lá e geralmente em frente à TV, absorvendo o que a telinha está transmitindo, que de uma forma ou outra, informa exatamente o que ela quer e como quer dentro da lei do mais forte. Crescem também problemas psicológicos como a síndrome do pânico e aqueles que pensam que fazer qualquer coisa fora de casa é perigoso demais, como visto em vários programas televisivos.

Não é difícil mudar esta situação, mas no Brasil isto é praticamente impossível! Contraditório, não é? Mas é simples entender. Aqui, praticamente todas as pessoas tem o sonho de mudar o mundo (não são só as “misses” que querem a paz mundial). Eu era assim. Não quero mais pelo simples fato de que nunca vou conseguir sozinho, mas sei a fórmula nada secreta para que isso aconteça: apenas mudamos a nós mesmos. Afinal, se cada um se preocupar consigo mesmo em ser uma pessoa melhor, logo estaremos com o país repleto de pessoas melhores e conseqüentemente, um Brasil muito melhor!

Que tal pararmos de nos preocupar de mudar os outros, resolver os problemas alheios e nos preocupamos com a nossa vida? Se uma pessoa tem problemas e pede nossa ajuda, se pudermos, é claro que devemos ajudar, pois isso é bom para quem ajuda e é ajudado. Mas, conseguir as coisas por mérito próprio é a melhor coisa do mundo! Ter o sentimento de dever cumprido, de vitória, de ter alcançado um objetivo com sucesso, mas se não conseguir, não tem problema: devemos tirar ensinamentos das vitórias e derrotas, dos acertos e erros. Pedir desculpas, reconhecer erros, não são sinônimos de fraqueza, humilhação, muito pelo contrário! São sinônimos de aprendizado constante, que você é um ser humano que erra e é grande o suficiente para reconhecer que errou e crescer com isso. Simples assim. Mas vai querer colocar isso na cabeça de milhões de habitantes com pensamentos diferentes, focos, culturas e status sociais completamente distintos?

E então continuamos neste círculo vicioso onde queremos mudar o mundo e não conseguimos mudar a nós mesmos e tão pouco dar um abraço em nossos pais e dizer que os amamos, onde é muito mais fácil ver os erros dos outros, culpá-los por nossas falhas e termos sempre a razão. O comodismo que é um dos pontos-chave do já citado "jeitinho brasileiro", faz com que as pessoas busquem a qualquer custo uma saída para não ter problemas e incômodos maiores e é por isso que as pessoas com atitude que buscam realizar seus sonhos, por mais improváveis que sejam, são tachados de loucos ou coisa parecida, pois ser independente, sonhador, ter atitude desta forma, é procurar problemas! A verdade é que todos gostariam de ser loucos assim, mas têm medo, falta garra, esperança ou é socialmente incapaz, pois alguns possuem excesso de responsabilidade e se deixam tomar por elas. Muitas vezes, não por culpa deles, mas deixar algo lhe corroer e tirar sua essência é não se respeitar, não se valorizar. Mas as pessoas "loucas" muitas vezes se deparam frente-a-frente com o "sistema", onde prevalece a lei do mais forte novamente e quem o perturba pode ser eliminado, literalmente, no sentido mais cruel da palavra, nesta enormemente incômoda e medonha banalização da morte. Convivemos neste insano medo e tensão de viver dentro do sistema, querer sair e não poder, exatamente por esse medo que nos deixa novamente no ponto de partida de tudo isso.

O Brasil não é um país de revolucionários. O Brasil é um país de pessoas amistosas, calorosas e muitas vezes com segundas intenções. Vamos fazer desse egoísmo que nos assola uma coisa boa! Vamos tratar de mudar cada um de nós apenas e quando menos esperarmos, mudamos o país (loucura, eu sei... Mas é a minha loucura!).

Não sou mais um suicida, mas continuo com a mesma atitude. Se o meu caminho é diferente da maioria, mas é meu caminho, é por lá que vou trilhar, acompanhado ou sozinho (mesmo sabendo que nunca estarei sozinho), com os problemas e perigos que me alertarem ou não. Nenhuma idéia vale uma vida - eu sei - e é por isso que deixei de querer mudar o mundo e estou agora focado em mudar a mim mesmo. Estou traçando meus objetivos, buscando realizar meus sonhos, fazer a vida valer a pena da minha forma, independente do que os outros dizem, se estou louco ou não, fazendo do meu jeito, fazendo as minhas músicas. Vamos ver quando tiver que bater de frente com o sistema... De novo!